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A igreja primitiva é parte do seu dia-a-dia?

igreja-primitivaUma das cenas que mais fiquei impressionado semana passada foi ver os corpos dos dois ciclistas que caíram no desastre da ciclovia Tim Maia, no Rio de Janeiro. A ciclovia foi destruída devido ao impacto fortíssimo da ressaca do mar, e frequentadores da praia ali continuaram jogando futebol nas proximidades dos corpos agonizantes ou já mortos, com o impacto da queda, como se nada tivesse ocorrido.

Este acontecimento me remeteu à imagem de Aylan Kurdi, o menino sírio de 3 anos, morto em 2015, em um naufrágio em Budrum, uma praia da Turquia, e que, na fotografia, aparecia boiando morto, e que virou símbolo da crise migratória que já matou milhares de pessoas do Oriente Médio e da África que tentam chegam à Europa para escapar dos conflitos, das perseguições de toda sorte e da pobreza galopante.

Trazendo isso para à minha realidade e de nossas igrejas, tenho pensado muito como a total indiferença com os outros vêm tomando conta dos nossos corações a cada dia mais e mais, pois a iniquidade tem se multiplicado, e o amor de muitos esfriado, conforme já dito pelo próprio Jesus, em Mateus 24:12, ao falar do fim dos tempos, porém, perfeitamente aplicável ao aqui e agora.

E quando penso nisso me recordo como estamos, distantes do modelo da igreja primitiva, de nossas origens, onde o cuidar do outro era uma das características mais marcantes. Um amor eminentemente desinteressado, idealista que não buscava nada em troca, como bem podemos ver em Atos dos Apóstolos 4:32-35, verbis:

Da multidão dos que creram era um o coração e a alma. Ninguém considerava exclusivamente sua nem uma das coisas que possuía; tudo, porém, lhes era comum (…) Pois nenhum necessitado havia entre eles, porquanto os que possuíam terras ou casas, vendendo-as, traziam os valores correspondentes e depositavam aos pés dos apóstolos; então se distribuía a qualquer um à medida que alguém tinha necessidade.

Você lê uma passagem marcante como esta e vê como muitas igrejas atuais estão totalmente distantes destas propostas. O levar os recursos aos pés dos apóstolos hoje parece significar torná-los milionários, a andar de jatinhos e usar ternos caros, sendo que muitas vezes, eles estão totalmente distantes das dores dos membros que dizem ser pastor, mas não conhecem nem os nomes.

E se você não desfruta uma vida de luxo como a deles é porque sua fé é ainda muito pequena. Talvez por isso, na maioria das igrejas, a ação social seja tão pequena, tão irrelevante diante da grande arrecadação auferida, a ponto de se alguém questionar isso, ser chamado de “cristão comunista”, ou ridicularizado como um membro da “heresia” chamada “missão integral”. A que pontos chegamos!

Mas, e o que mudou daquela época para cá? A meu ver, eu diria, o crescente materialismo de muitos cristãos atuais, cujo único aparente objetivo na vida parece ser prosperar. E até o termo prosperar perdeu na maioria das pregações, o seu caráter, sua acepção espiritual, para se resumir apenas a amealhar bens neste mundo, que trariam a “segurança” necessária que a pessoa precisaria.

Até mesmo a busca excessiva de milagres, a meu ver, evidencia paradoxalmente esse materialismo a que me refiro. Tanto é assim, que para muitos cristãos hoje, ouvir apenas a Palavra de Deus e orar é algo maçante demais. Precisa-se ver maravilhas, milagres a todo tempo, sob pena daquela igreja viver vazia ou sempre com seus poucos membros.

E Infelizmente, para muitos líderes, quantidade acaba sendo mais importante do que qualidade espiritual dos seus membros, pois isso significa mais recursos e evidência do “sucesso” do ministério. Ledo engano, totalmente divorciado da mensagem da cruz.

Concluindo, neste momento, estou ouvindo a bela música Your Words (Suas Palavras), da banda americana Third Day, que faz parte da trilha sonora do excelente filme Milagres do Paraíso, que está em cartaz nos cinemas.

Faço minhas os seguintes versos da música: Deixe-me (Deus) ouvir Suas palavras, acima de todas as vozes e de todas as distrações deste mundo.

Assim, peço a Deus que renove o nosso amor e que tenhamos a postura e disposição de deixá-Lo fazer morada em nossos corações, pois assim o Seu amor será conhecido no meio de nós, pois como podemos dizer que amamos a Deus, que não vemos, se nem os nossos próprios irmãos amamos? É o que se extrai da belíssima mensagem de 1 João 4, que convido os irmãos a lerem como conclusão deste meu texto. Amém.

por Leandro Bueno

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